
Sim, estou a falar de problemas de comunicação, mas não daqueles do tipo "estou a ficar sem rede..rrrr...estou...a ouvir-te mal!". Não não é desse tipo.
Estou a falar daquele tipo de mensagens nas entrelinhas em que ficamos à espera que o outro diga alguma coisa, porque não sabemos como começar... estamos apenas à espera do mote, de um motivo para conversar, para falar sobre o que nos atormenta... Mas pensando bem isso é estúpido! Porque não podemos simplesmente falar, falar sem medo, simplesmente dizermos as coisas???
Mais estúpido ainda é quando ficamos calados porque o outro não disse nada!!!
Por vezes que falar, dizer coisas a determinadas pessoas, dizer-lhes como o que elas fazem me faz sentir... mas tal como toda gente não sou capaz! Então fico eternamente à espera que o outro toque na ferida. Escusado será dizer que a minha espera é em vão! Ficarão sempre a pensar que eu não me importo com nada e que está tudo bem quando na verdade não está! E assim, ficamos neste impasse, numa relação estranha que já foi de amizade e que agora é algo sem definição. Estamos à beira do precipício e ficamos com medo de avançar por recear que essa relação caia no abismo. Então mantemos uma relação de aparências. Todos sabem que já não somos as mesmas pessoas, que a nossa relação mudou, mas ninguém fala abertamente sobre isso, como se todos se sentissem assustados por trazer a lume determinado tema. Assim, esta é apenas uma amizade de conveniência: quando precisamos, tratamo-nos como se nunca nada se tivesse passado para alcançar um reles objectivo.
Em determinados momentos não sou capaz de fazer nada para salvar essa amizade, noutros, pelo contrário, falo mas ninguém me ouve! As minhas palavras tornam-se simples ecos num imenso vazio. Os problemas de comnicação aqui são de outra natureza... uma das partes simplesmente ignora o que o outro sente, à medida que a amizade vai "arrefecendo", tornando-se apenas uma amizade para casos de extrema necessidade.
Muitas vezes a culpa apodera-se de mim por não ser capaz de falar e depois sinto raiva de mim mesma por me sentir culpada: numa amizade que se vai degradando a culpa não pode ser inteiramente de uma só pessoa. Se a amizade se perdeu provavelmente foi porque ambas as partes não se esforçaram o suficiente. Assim, transfomo-me numa ovelha de um qualquer rebanho e faço o que todos fazem, não falo sobre isso, porque sinto que ninguém me vai compreender e que vou fazer figura de parva, que vão deitar coisas à cara e que no fim vou ficar sozinha. Depois de pensar desta forma, ainda fico com mais raiva de mim própria por ser estúpida ao ponto de pensar que os outros vão tirar conclusões precipitadas de mim.
Ao fim do dia, acho que o esforço não pode ser só meu, mas também não posso "obrigar" os outros a fazerem a sua parte. Afinal de contas, se alguém não me quer por perto é porque tem os seus motivos e estar perto de alguém que não quer estar conosco não pode ser algo agradável.
Algo que adorava fazer chegar perto dos outros e dizer-lhes, sem medo, o que acho que eles fazem de mal. Faze-los perceber como me fazem sentir. Mas mais uma vez, é quase certo que não serei ouvida. Então permaneço no meu canto e fico à espera que falem comigo ou que me convidem para fazer qualquer coisa diferente. Quando o fazem fico feliz e aceito, numa tentativa de aproximação, para retomar a amizade perdida. No fim, chego sempre à mesma conclusão... esses convites são apenas por cortesia e não por realmente apreciarem a minha companhia.
Será que sou assim tão má pessoa?
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