Ontem vi um filme que me fez pensar... " O Estranho Caso de Benjamin Button". Esta longa metragem, galardoada pela Academia é realmente uma história memorável que me fez pensar sobre a percepção do tempo...
Quando somos crianças tudo nos parece maior do que na realidade é... Com o tempo não acontece isto... Lembro-me de brincar na rua e as horas pareciam não ter fim, era como se uma tarde se transforma-se numa semana e podia fazer mil e uma coisas; nunca tinha o problema de "não ter tempo". Quando estamos felizes ou ocupados, "o tempo corre". Porém, quando estamos doentes tristes, ansiosos ou nervoso, o "tempo não passa".
Este é provavelmente o elemento de maior labilidade, uma vez que o seu decorrer está de acordo com o nosso estado de espírito.
Há medida que vamos crescendo esta percepção altera-se... é como se tudo à nossa volta girasse mais depressa: as pessoas, as cidades, os campos, tudo está em constante alteração e a um ritmo que nos parece ser anormal. Porém, quando damos por nós já somos velhos, já tivemos as nossas experiências, já vivemos a nossa vida e desejamos ter a oportunidade de voltar atrás... Voltar para mudar alguns erros que cometemos, evitar situações que não queriamos ter passado, escolher caminhos diferentes do que aqueles pelos quais fomos optando ao longo do tempo...
Mas e se nos aparecesse um génio da lâmpada que nos concedesse essa oportunidade tão desejada?!
Esse foi o caso de Benjamin Button, um homem que nasceu velho e, ao mesmo tempo que crescia, tornava-se cada vez mais jovem. Há primeira vista este fenómeno pode ser visto quase como uma tentativa de alcançar a imortalidade. Com o passar dos anos, Benjamin ganha mais experiência de vida, e com as novas situações com que se depara, aprende a ver a vida de uma perspectiva diferente, pois é capaz de fazer cada vez mais coisas, ainda mais variadas do que as anteriores... Assim, torna-se num jovem com a experiência de vida de uma pessoa madura.
Se este estranho caso se passasse com muitas das pessoas que conheço, a célebre frase "Gostava de saber o que sei hoje e voltar a ter 20 anos" deixaria de fazer qualquer sentido.
Agora, também é necessário ter em atenção o reverso da medalha. Durante o filme, uma das personagens afirma que é uma pena alguém crescer e rejuvenescer ao mesmo tempo, pois iria ver morrer todas as pessoas que lhe são mais queridas.
Imagine-se o que é amadurecer, sendo capaz de recordar melhor cada momento que foi vivido com memórias cada vez mais nítidas... O que inicialmente seria um dom, torna-se numa maldição, um fardo cada vez mais difícil de suportar devido à dor crescente de recordar melhor a perda daqueles que mais amamos.
O mais interesante desta história é ver como a nossa noção de tempo se vai alterando. Para Benjamin, a noção do seu tempo é extremamente particular, talvez para ele as horas não se vão alargando, fazendo-o sentir-se "sem tempo".
Um pouco por todo o Mundo, as pessoas sentem-se frustradas, porque não gostam de envelhecer, porque começam a sentir o seu corpo a ficar cada vez mais pesado, mais lento em cada movimento... Contudo, é bom sentir que evoluimos e fomos acompanhando o passar o tempo, sentir que tivemos a nossa juventude e experimentamos o que queriamos, cometemos os nossos erros, mas que foi isso que nos fez seguir em frente... Foi isso que me transformou na pessoa que sou hoje.
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Há 6 anos
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