sábado, 14 de março de 2009

Memórias de Criança

É através da observação das pessoas no meu quotidiano que me recordo das coisas mais fascinantes!!! Ou então é nesses momentos que me recordo apenas de alguns reminiscências de memórias.

Ao passear no jardim e observar uma criança a dar os seus primeiros passos, pude constatar que existem inúmeros marcos na minha vida dos quais não me recordo. É pena! Gostava de puder lembrar-me da dificuldade que tive para dizer a minha primeira palavra, ou de quando tive medo de andar porque o cão do meu vizinho, que era um gigante aos meus olhos, se aproximava de mim.

É realmente uma pena não puder lembrar-me desse momentos!

Contudo, lembro-me de outros bem divertidos. A primeira vez que andei de bicicleta, as quedas que dei por pensar que já sabia andar, brincar na rua com os meus amigos quase mesmo quase até anoitecer e apanhar um raspanete, a minha primeira aula na primária, a primeira palavra que aprendi a ler, a primeira palavra que aprendi a escrever, os intervalos em que jogava ao berlinde, as vezes que corria atrás dos rapazes que gozam comigo, as horas de almoço em que comia o mais rápido possível para ir brincar à Sailor Moon, a primeira vez que fui para a escola sozinha, os amigos que conheci e que ficaram para sempre comigo... Estas são apenas alguns momentos dos quais não me é muito dificil recordar!

Actualmente quando me lembro desses dias gloriosos da minha infância sinto saudade e quero voltar a trás para fazer tudo de novo. Porém se o fizesse nunca teria o mesmo significado, pois iria sempre recordar os primeiros momentos e seria algo quase sem significado. Por outro lado, divirto-me quando estou com os amigos que fui conhecendo desde "os tempos áureos" e relembro as travessuras que fazia, por exemplo, em busca das bolachas escondidas no armário em que era preciso pôe-me em cima de uma cadeira e quase caía. Mas no fim... as bolachas sabiam tão bem!!!

Eram estes pequenos momentos de "delinquência" que me davam mais prazer! Era como alcançar o fruto proibido!

domingo, 1 de março de 2009

Paradoxos

Desde os primórdios da Humanidade que o ser humano sempre se debateu com alguns dos temas que mais intrigantes eram para si...

Desde sempre o Homem sentiu a necessidade de encontrar a dicotomia em todos os seres orgânicos ou inorgânicos: Homem vs. Mulher, Animal vs. Vegetal, Água vs. Terra, entre inúmeros outros. Porquê esta necessidade? Talvez para que o Homem se encontre a si próprio, para que possa saber quem é e para que feitos e realizações está destinado. É ao encontrar as diferenças entre si e outros seres que o indivíduo aprende a definir a sua própria personalidade.

Ao encontrar a sua identidade e conseguir distinguir-se de outros, as diferenças começam a ser causadoras de conflitos. Aqui se encontra o paradoxo da existência humana... O que é gerador de sentimentos de afinidade, amizade e até intimidade, torna-se em algo dificil de tolerar... Será este o motivo das discórdias existentes no Mundo?

O meu paradoxo ainda não foi resolvido... Continuo entre terra e mar... Por momentos sinto que pertenço ao Mar, por momentos sinto que pertenço à Terra, por momentos sinto que não pertenço a lado algum. Torna-se dificil encontrar-me, saber quem sou e para o que estou destinada.
Por vezes desejo estar perto do Mar, "sei que é neste local que quero estar". Contudo, quando lá chego reflito sobre o meu desejo insaciavel de observar uma imensidão de mar, que afinal quando lá chego não é assim tão insaciavel. Então paro e penso sobre o que me leva a sentir desta forma. O Mar torna-se apenas o local onde nasci, o local da minha origem, as minhas raizes. Por vezes sinto-me deslocada. Por um lado é como se tudo estivesse igual: os hábitos, as rotinas, as pessoas, a vida da cidade... Mas toda esta igualdade ou normalidade, como quer que queiram chamar, é diferente aos meus olhos... Pareço uma estranha perante as rotinas de toda uma cidade... Talvez porque a minha própria rotina não é a mesma.

Assim, permaneço num paradoxo de descobrir a que elemento pertenço, de encontrar a minha rotina, de encontrar as minhas diferenças e as minhas semelhanças...

Tempo

Ontem vi um filme que me fez pensar... " O Estranho Caso de Benjamin Button". Esta longa metragem, galardoada pela Academia é realmente uma história memorável que me fez pensar sobre a percepção do tempo...

Quando somos crianças tudo nos parece maior do que na realidade é... Com o tempo não acontece isto... Lembro-me de brincar na rua e as horas pareciam não ter fim, era como se uma tarde se transforma-se numa semana e podia fazer mil e uma coisas; nunca tinha o problema de "não ter tempo". Quando estamos felizes ou ocupados, "o tempo corre". Porém, quando estamos doentes tristes, ansiosos ou nervoso, o "tempo não passa".
Este é provavelmente o elemento de maior labilidade, uma vez que o seu decorrer está de acordo com o nosso estado de espírito.

Há medida que vamos crescendo esta percepção altera-se... é como se tudo à nossa volta girasse mais depressa: as pessoas, as cidades, os campos, tudo está em constante alteração e a um ritmo que nos parece ser anormal. Porém, quando damos por nós já somos velhos, já tivemos as nossas experiências, já vivemos a nossa vida e desejamos ter a oportunidade de voltar atrás... Voltar para mudar alguns erros que cometemos, evitar situações que não queriamos ter passado, escolher caminhos diferentes do que aqueles pelos quais fomos optando ao longo do tempo...

Mas e se nos aparecesse um génio da lâmpada que nos concedesse essa oportunidade tão desejada?!
Esse foi o caso de Benjamin Button, um homem que nasceu velho e, ao mesmo tempo que crescia, tornava-se cada vez mais jovem. Há primeira vista este fenómeno pode ser visto quase como uma tentativa de alcançar a imortalidade. Com o passar dos anos, Benjamin ganha mais experiência de vida, e com as novas situações com que se depara, aprende a ver a vida de uma perspectiva diferente, pois é capaz de fazer cada vez mais coisas, ainda mais variadas do que as anteriores... Assim, torna-se num jovem com a experiência de vida de uma pessoa madura.

Se este estranho caso se passasse com muitas das pessoas que conheço, a célebre frase "Gostava de saber o que sei hoje e voltar a ter 20 anos" deixaria de fazer qualquer sentido.

Agora, também é necessário ter em atenção o reverso da medalha. Durante o filme, uma das personagens afirma que é uma pena alguém crescer e rejuvenescer ao mesmo tempo, pois iria ver morrer todas as pessoas que lhe são mais queridas.
Imagine-se o que é amadurecer, sendo capaz de recordar melhor cada momento que foi vivido com memórias cada vez mais nítidas... O que inicialmente seria um dom, torna-se numa maldição, um fardo cada vez mais difícil de suportar devido à dor crescente de recordar melhor a perda daqueles que mais amamos.

O mais interesante desta história é ver como a nossa noção de tempo se vai alterando. Para Benjamin, a noção do seu tempo é extremamente particular, talvez para ele as horas não se vão alargando, fazendo-o sentir-se "sem tempo".

Um pouco por todo o Mundo, as pessoas sentem-se frustradas, porque não gostam de envelhecer, porque começam a sentir o seu corpo a ficar cada vez mais pesado, mais lento em cada movimento... Contudo, é bom sentir que evoluimos e fomos acompanhando o passar o tempo, sentir que tivemos a nossa juventude e experimentamos o que queriamos, cometemos os nossos erros, mas que foi isso que nos fez seguir em frente... Foi isso que me transformou na pessoa que sou hoje.